INSÔNIA

4h25 e o celular apita. O único grupo que eu nunca silencio me acorda.

Ótimo. Vejo que a mensagem que mandei às 0h01 foi visualizada há 5 minutos, e ainda naquele momento em que você não sabe se está dormindo ou acordado, aparentemente ligo. De repente vem o bom senso e me faz desligar.

O telefone toca, “você me ligou”? Acho que sim, mas não quero falar. Não agora. Depois você me liga então (acho que escuto).

Desligo o telefone e acordo, não consigo dormir mais. Maldito pasalix que tem me enganado.

Preciso dormir, preciso dormir, porque daqui a pouco tenho que acordar. Nada. Viro pro lado direito, pro lado esquerdo, nada. Tento técnicas de respiração. Nada. Ler o livro? Nada.

Minha cabeça não para, tentando entender tudo o que aconteceu até chegarmos aqui. A esse ponto. Aliás, que ponto é esse? O que está acontecendo? Não entendo.

Aí vem toda aquela reflexão de fim de ano, as mudanças de 2018, metas pessoais, profissionais, e o que já não estava legal fica pior ainda. Levanto às 5h30 para fumar um cigarro – meta: preciso parar de fumar. O vizinho está ali no corredor fumando também e eu penso que a insônia não é exclusividade minha.

Volto pra cama, penso neste blog aqui que já esteve mais atualizado, mas resolvi, há um tempo atrás, apagar um monte de coisas por achar que me expunha demais. Que burra, eu gostava tanto daqueles textos. Me arrependo.

E aí eu venho aqui escrever um monte de nadas, porque não consigo organizar meus pensamentos. Essa coisa de ter que ter um tema é chato. Sei EXATAMENTE o que eu gostaria de escrever aqui, mas será?

Há um mês atrás começou o seu inferno astral e ali começou o meu também. Eu sei porque você sabe que eu sou uma pessoa ligada em datas. Será que, a partir de hoje, no seu paraíso astral, eu também vou ficar bem?

E o que foi essa semana? Porque?

Ontem, uma pessoa por quem eu sinto um carinho especial e já foi tema desse blog (texto apagado, sorry), salvou o meu dia (obrigada pelas “belas” palavras) e me disse uma frase foda: “Você é muito ingênua”.

Preciso parar de acreditar em tudo o que me falam. Mas viver desconfiada e sem acreditar nos outros, não me faria perder o sono de vez? Não quero viver com insônia.

Ah, 2018… aos 43 do segundo tempo você me deu a melhor surpresa. Eu achando que o jogo tava ganho, mas aos 47 eu levei uma virada histórica, tipo aquele Vasco 4 x Palmeiras 3 (decisão da Mercosul de 2000).

Vem logo, 2019, e leve de vez o que tem que ir, e deixe apenas o que quer ficar.

Por via das dúvidas, o outfit da virada é um mix de tudo que eu preciso: roupa branca (paz, muita paz, por favor, paz), acessório vermelho (paixão e, de acordo com a numerologia, pela minha data de nascimento, a cor que eu devo usar neste reveillon), e calcinha rosa – porque eu ainda não desisti do amor. Acreditar a gente não acredita, mas vai que…

Me desculpem por esse texto. É só a cabeça bagunçada de quem dormiu pouco mais de 4 horas.

Um excelente 2019 para quem chegou até aqui. Ah, outra meta para o ano que vem: fazer mais o que eu amo (escrever, escrever, escrever). E nunca mais apagar minha história.

COMUNICAÇÃO INTERNA - Visão geral e conceitos

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Adeus, 3.1…

Oi, gente! Hoje é o último dia da minha vida com 31 anos. E não estou escrevendo isso (só) pra vocês lembrarem de me dar os parabéns amanhã não (sabe como é, né, pessoal acessa pouco o Facebook no fim de semana), mas porque achei um bom momento para refletir sobre esse último ano. 

Antes, só um parênteses: andei sumida daqui, é verdade. É que eu não tô legal, provavelmente por causa do inferno astral (vamos culpar alguma coisa, né?). Um conjunto de fatores me fez ficar triste e aí junta com a saudade e esse clima frio daqui… Dá merda, não tem jeito. Mas vai passar, sempre passa. Aliás, tudo passa nessa vida, menos o frio daqui, taqueopariu! Cansei de brincar de frio, crendeuspai! 

Mas, enfim… Voltemos ao tópico do post, o final de mais um ciclo em minha vida. 

Sem dúvida nenhuma, meus 3.1 foram marcantes. Conheci pessoas incríveis nesses 364 dias; algumas delas, levarei para o resto da minha vida. Outras, infelizmente (ou felizmente, sei lá), já não fazem mais parte dela.

Mas o principal foi que, nesse último ano, tomei a decisão mais corajosa que já tive que tomar em três décadas: eu vim viver um sonho. Como já disse antes, morar fora do Brasil sempre fez parte daquela lista de sonhos secretos, sabe? Que a gente só conta para os melhores amigos e que tá sempre adiando pra um dia, um dia, um dia…

Até que, um dia, surgiu uma oportunidade. Mas eu ainda demorei uns dias pra assumir pra mim mesma que eu estava querendo isso. E o medo de contar para os outros? “Será que meus pais vão me apoiar? E meus irmãos? O que meus amigos vão achar? Será que meu chefe vai me odiar por largar o emprego?”

Não seria melhor deixar esse sonho ali, quietinho, na lista de “um dia”?

Até que, um dia, eu tomei a decisão, a contragosto de alguns e com a desconfiança de outros. E, mesmo assim, pouco mais de três meses depois, desembarquei aqui.

Muitas coisas foram compartilhadas aqui com vocês, principalmente as partes legais, e espero que tenham gostado, porque essa aventura acaba em pouco mais de um mês.

Eu poderia fazer uma lista enorme de coisas que aprendi nesse período morando aqui na Irlanda, mas só quero destacar um ponto, que, na minha opinião, é o mais importante. 

Peço desculpas porque as palavras não são minhas. Em uma troca de e-mail com um grande amigo, ele resumiu magnificamente em poucas linhas o que eu prolixamente havia descrito em parágrafos. E, quando eu li, falei: é isso, posso voltar pra casa agora.

O resumo de tudo isso pra mim é mais ou menos assim: a gente procura, procura, procura, mas a felicidade está na gente mesmo, não é? O ser humano é sempre assim: dá voltas no mundo e percebe que tudo o que ele queria está dentro de si próprio. Você busca isso na Irlanda; eu busco trabalhando feito louco.

E meus 3.1 ficarão para sempre marcados como o ano em que eu aprendi que vale a pena correr atrás de um sonho, e que nem sempre esse sonho será perfeito como era no papel. E que, às vezes, a gente precisa de uma perspectiva diferente pra entender que a felicidade está ali, ao nosso alcance. E valorizá-la.

Obrigada por sempre estarem aqui. Mesmo que nem sempre tenha comentários (sei que é um saco ter que responder esse mini-questionário), eu sempre me surpreendo toda vez que vejo as estatísticas e o número de acessos. 

Vejo vocês com 3.2.
Amor, 

Marrocos!!!

Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015, 20h24.

Estou, nesse momento, sob o estrelado céu do Deserto do Saara, em algum lugar do Marrocos, cerca de 40 km da fronteira com a Argélia.

Bom, como vocês devem imaginar, aqui não tem wifi, por isso a hora que esse texto for postado já terá passado esse momento. Mas eu quis escrever agora, para que as memórias desses dias aqui no Marrocos estejam ainda frescas.

O que eu posso falar dessa experiência? Difícil compartilhar com palavras. Estou deitada em cima de tapetes, ao redor de uma fogueira, e olhando para o céu, em um acampamento bérbere. Quando, na minha vida, eu sonhei que um dia estaria aqui? Há um ano atrás, nunca pensava que estaria aqui hoje.

Mas vamos começar do começo. Peguei um avião na quarta-feira, e pouco mais de três horas depois, desembarquei em Marrakesh. MAR-RA-KESH!!! Quantas vezes cantei a música do Caetano (“esse papo já tá qualquer coisa, você já tá pra lá de Marrakesh / mexe qualquer coisa dentro doida, já qualquer coisa doida dentro mexe…”) sem nunca imaginar que um dia poria meus pezinhos nessa cidade?

Após deixar as malas no “Riad”, fomos (tem um grupo de brasileiros conosco) até à Medina, uma praça com centenas de barraquinhas de comida e lojas. Achei que fosse ter nojinho porque, confesso, não parece o local mais limpo do mundo, mas que nada… A comida era deliciosa! Aliás, a culinária aqui é muito gostosa!

Na quinta, acordamos cedo e pegamos uma van para começar nossa viagem ao Deserto. Na saída de Marrakesh, as laranjeiras carregadas de laranjas na rua me impressionaram. Quanto à viagem, vou falar: é longe isso aqui, viu… Ontem foram quase 12 horas de viagem – claro, parando em vááááários lugares, tirando centenas de fotos, além das vezes que tivemos que parar por conta de enjoos das pessoas, pois grande parte da estrada é cheia de curvas.

No meio do caminho, paramos em Ait benhadoo, um lugar que já foi cenário de vários filmes e séries, inclusive Gladiador e Game of Thrones (que, por sinal, já deve ter sido filmada em todos os lugares do mundo, porque todo lugar aparece: cenário de Game of Thrones).

Ait benhadoo é lindo. Antigamente, mas muito antigamente mesmo, de acordo com nosso guia, era uma espécie de cidade, “kasbah”, onde vivia várias famílias. Essa “kasbah” trocava especiarias e produtos com outras “kasbah” existentes em toda o continente africano. Enfim, hoje em dia apenas duas famílias moram no local e é só pra visitar mesmo, com várias lojinhas. Fiz vídeos lá mas acho que não consigo postar aqui… 😔

Pouco mais de oito da noite chegamos ao “Auberge”, um hotel no meio de umas pedras, em Ouarzazate.

Hoje cedo acordamos e continuamos mais oito horas até chegar aqui – mais uma vez, com paradas. Um lugar lindo, que chama Garganta, com uns paredões enormes e um riozinho transparente que corre entre eles foi o que mais me chamou a atenção hoje. Também paramos em uma lojinha de vestimentas típicas, com lenços lindíssimos e em um preço super em conta, bem mais barato que na Medina.

Deixamos nossas malas em um hotel na “entrada” do deserto e pegamos nossos camelos (aviso: não é o meio de transporte mais confortável do mundo – minha coluna garante) e andamos mais de hora até chegar a um oásis, cheio de árvores, onde fica o acampamento bérbere, de onde escrevo agora.

Eu queria muito que todos os que eu amo tivessem essa experiência. Nada que eu fale conseguiria traduzir o que eu sinto nesse momento.

Vou curtir agora que começou uma música típica aqui. Depois continuo o post ou posto assim mesmo.

Continuando… Agora já é sábado, 13h50, e estou na van, na longa viagem de volta…. Devemos chegar em Marrakesh por volta de 22h, então… Haja paciência e dramin. Então, enquanto o sono não vem, continuo escrevendo mais um pouco.

Depois que eu parei de escrever ontem, fiquei curtindo a música que rolou, com os bérberes tocando (detalhe: não vi uma mulher, só homens) e depois fomos andar um pouco pelo deserto com nosso guia e dois bérberes para ver as estrelas. Foi um momento em que escutamos histórias e piadas. A que mais me emocionou foi quando nos perguntaram: “qual a diferença entre a camela fêmea e a mulher?” E enquanto todos pensavam em besteiras, um dos bérberes falou: “a camela atravessa o deserto, a mulher atravessa a vida.”

E tudo que me falaram antes, que eles não respeitam as mulheres, achei diferente. Acho que eles nos olham com uma certa admiração. Eles nos falam o tempo todo como somos bonitas, mas em nenhum momento me senti desrespeitada. Desrespeito é passar em frente a uma construção e a piãozada gritando baixarias. Aqui não. Eles têm um olhar diferente pra gente, principalmente os bérberes. Achei lindo.

Estou procurando palavras pra expressar a sensação, a calma, a paz e todos os sentimentos que o deserto me trouxe, mas tá complicado. Sem contar que eu acabaria soando brega, piegas, clichê, e apesar de vários dos meus posts serem assim, eu tento evitar isso.

Voltei para o acampamento e fui dormir, ou melhor, tentar porque minha sinusite atacou e estava com uma dor de cabeça fortíssima, acho que devido à mudança de temperatura e, principalmente, a esse tempo seco. Além disso ter feito eu demorar a pegar no sono, passei muito frio essa noite, apesar de estar com dois cobertores pesados e roupa de frio.

Pois é, gente, todo mundo já tinha me falado que à noite no deserto é frio, mas eu pensava que estava preparada… Infelizmente, não… Mas tudo bem, a felicidade de estar naquele lugar compensa qualquer dor de cabeça ou noite fria. Nada atrapalhou o passeio.

Acordamos hoje, tomamos um belo café da manhã no acampamento e já pegamos nossos camelos de volta rumo ao hotel. E lá vai mais de uma hora no lombo do bichinho, coitado. E coitada de mim também, que tô toda descadeirada agora, toda dolorida…

Depois disso, pegamos nossas coisas no hotel e já montamos na van de novo. Almoçamos na estrada e aqui estou eu, escrevendo para vocês (e pra mim também). Amanhã ficaremos o dia todo em Marrakesh, provavelmente passeando e fazendo comprinhas (adoro!), e então, #partiuDublin.

Esse passeio de cinco dias é maravilhoso, mas confesso que é cansativo. Ficar horas e horas na van é bem cansativo, ainda bem que tive a sorte de cair num grupo animado, com pessoas bem legais que fazem parte do tédio sumir. E também tivemos muita sorte com nosso guia, um cara sensacional e que conhece muito do deserto.

E outra: quem tem nojinho das coisas não pode encarar uma dessas não. O acampamento bérbere, por mais aconchegante que seja, ainda é um acampamento no deserto. Dormimos em colchões e tal, mas o banheiro, por exemplo, é quase uma fossa: uma privada com uma caixa que eles trocam. Não tem água encanada lá e estou há mais de um dia sem tomar banho, com areia do deserto embaixo da unha, no ouvido, no nariz, no tênis…

Mas é uma experiência única, individual e instransferível. Valeu a pena cada centavo desses 150 euros pagos pelo tour e, mais uma vez, tenho a consciência de que volto dessa viagem diferente. O que é, eu não sei, mas com certeza eu não sou mais a mesma Sthefani que era antes. A troca de cultura com os bérberes, no meio do deserto, foi algo inexplicável e inenarrável. Só estando lá mesmo.

E, com vocês, um pouco do Marrocos.
Como a internet não está lá essas coisas, vão só algumas, depois posto mais, quando chegar em Dublin.

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Sobre a efemeridade da vida

Quatro meses completos e daqui a pouco começo a contagem regressiva para voltar. Hoje era pra escrever um texto diferente mas aconteceu algo esse Carnaval que me fez mudar de planos.

No sábado, um membro do Grupo de Voley Parque Ibirapuera morreu. E desde então, vira e mexe me pego pensando nisso.

Não éramos próximos, o Rafael e eu, mas foi algo extremamente chocante pra mim. Primeiro porque ele tinha 20 anos de idade, um menino ainda, iniciando a vida. Jogava muito bem, era um ótimo atacante e sempre bem humorado (pelo o menos dentro de quadra). Segundo porque a morte dele, principalmente da maneira que foi – ele morreu afogado no Guarujá, aonde tinha ido passar o Carnaval – me fez lembrar da efemeridade da vida. Estamos de passagem aqui, e por mais que tenhamos a convicção que temos controle sobre nossas vidas, na verdade não temos. Um segundo e tudo muda.

Lembro uma vez que minha mãe falou algo mais ou menos assim: a gente fica só fazendo planos e planos mas nunca sabemos o que está reservado pra nós. Esse era um dos meus maiores medos antes de encarar esses seis meses aqui, a possibilidade de acontecer algo com aqueles que eu amo e eu não estar perto. Até que um dia, conversando com um amigo, ele me disse: “porquê, você acha mesmo que se tiver que acontecer algo e você estiver por aqui, poderá mudar alguma coisa?”.

É claro que não.

Foi assim que deixei pra lá esse medo. Quer dizer, ele ainda existe, mas não me apego a ele nem fico pensando nisso. Sabendo que não tenho controle sobre o destino, karma, planos de Deus (seja lá o que for), o que eu posso fazer?

Há algum tempo, ainda no Brasil, comecei a dizer “eu te amo” para as pessoas que eu amo, como por exemplo, meus pais. No começo foi meio estranho terminar as conversas por telefone com “tchau, papai, te amo” ou “tchau, mamãe, te amo”. Medo de parecer piegas. Mas depois começou a soar tão naturalmente, como sempre deveria ter sido.

É claro que meus pais sabiam que eu os amo e eu também sempre soube que eles me amam, mas, acredite, escutar “eu também te amo” é muito gostoso. Pelo o menos estando aqui, do outro lado do Atlântico, me faz estar mais próxima. E, se for pensar, é algo tão pequeno, tão simples, mas que o medo de parecer ridículo e carente impede muitas vezes de falar “eu te amo” para pais, irmãos, primos, tios, avós, amigos…

Se você nunca fez isso, tente. Uma vez que seja. Falar algumas coisas nunca é demais, acredite em mim.

PS: Pra finalizar o texto, eu ia escrever um monte de nomes aqui pra mandar um eu te amo bem grandão, mas o medo de esquecer alguém me fez apagar o que eu já tinha escrito.

Mas saiba que eu te amo, viu?

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A foto é nas ruínas de um mosteiro no interior da Irlanda, em Glendalough. Lugar lindo e que vale a visita!

Sobre pessoas que somem

Nos últimos anos, tenho reparado em um fenômeno muito interessante: as pessoas estão sumindo.

Não sei exatamente qual a causa disso, mas o fato é que o chá de sumiço está na moda. Em tempos de relações relâmpago e com o individualismo reforçado por adventos tecnológicos, as pessoas têm se esquecido de que existem outras pessoas que, assim como elas, respiram, comem, bebem, falam e sentem. Ah, e como sentem!

Talvez por eu ser totalmente transparente (ou, como diria um grande amigo, “a pessoa mais sincera do mundo”), isso é algo que me incomoda. Muito. Porque eu sou sempre a favor da verdade, por mais que ela doa.

Se alguém some sem motivo (e, na minha vida e de alguns amigos tem ocorrido com certa frequência), você não sossega nunca. Nunca! “Nós éramos amigos (pelo o menos eu achava), trocávamos mensagens todos os dias, e um dia ela não respondeu mais”, escutei esses dias de um amigo. E ele insistiu nas mensagens, mas depois da décima quarta sem resposta e uma preocupação que ela estivesse morta, ele percebeu que ela tinha entrado para as estatísticas e sumido. Assim, no meio do assunto, sem dar explicação, sem apontar motivo. Sem acabar o papo.

E meu amigo, coitado, até hoje pensa no que ele pode ter falado para ela sumir daquele jeito. Ele é brasileiro, ela é alemã, e eles se comunicavam em inglês. Tentei falar que deve ser o jeito frio dos alemães (mesmo sem ter certeza disso). Mas não adianta, ficou uma cicatriz nele, coitado.

“Sabe o que me mata?”, ele me disse. “Eu achava mesmo que éramos amigos, ela já tinha deixado claro que não se interessou por mim, mas eu a achava tão gente boa que gostava de conversar com ela sobre qualquer assunto, desde Copa do Mundo (maldito 7×1) até trocar fotos dos nossos afilhados”. E ela simplesmente sumiu. Sem dar tchau.

O que falar pra um amigo nessas horas? Sinceramente, não sei. Mas eu o entendo e sei como dói, já aconteceu comigo. Minha última paixonite, em meados de 2013, resolveu sumir um dia. Estávamos nos vendo há pouco mais de um mês e numa fase que estava tudo lindo, perfeito! Trocávamos mensagens durante todo o dia, sempre cheias de carinhas fofas e flores e sapinhos e príncipes e corações e vinhos até que um dia, de manhã, o “Bom dia” não veio. E nem a resposta ao meu bom dia. Vácuo total. Assim, do nada, sem explicação, sem motivo, como se nunca tivesse me conhecido. Chá de sumiço.

É claro que eu pirei tentando encontrar uma razão. Mesmo tendo superado a pessoa, confesso: não superei o chá. Até hoje eu não sei o que aconteceu, e daria meu dedo mindinho pra saber a verdade. O que eu fiz de errado? Ele se cansou de mim? Ele arrumou outra? Eu ronco?

O problema de tentar achar um motivo é que você tende sempre a achar que a culpa de tudo é sua. A gente nunca pensa que o outro pode ser um babaca sem alma. Como essa alemã que magoou meu amigo. Ele me disse: “Sthê, eu só queria um motivo. Porque se eu fiz algo errado, posso até não consertar e nem voltar a ser amigo dela, mas posso aprender para não cometer o mesmo erro com outras pessoas.”

Em tempos de Whatsapp e Messenger, muito mais fácil ignorar as mensagens dos outros do que falar a verdade, seja ela qual for. Eu digo que é como se você estivesse falando com uma pessoa que te ouve e não te responde porque não quer, por mais sádico que isso seja.

Gostaria de um dia aprender a ignorar os outros, ser indiferente. Me tornar fria, egoísta, alguém que descarta as pessoas como cartas de um baralho. Não serve mais pra mim (mas serviu na primeira rodada)? Descarto na mesa. Deve ser mais legal viver assim, sem se envolver, sem se machucar. Risco zero.

Quem sabe um dia viro adepta do chá de sumiço? (Será que é amargo? Pode adoçar com mel?)

Mas, por enquanto, vou vivendo assim… Dando conselhos que eu mesma não sigo para amigos, e me decepcionando com as pessoas.

Beijos,

Sthê.

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Cansei de sobreviver.

Bom dia! Nesse momento, estou no aeroporto de Dublin, esperando meu voo pra Zurique. Acho que fiz as contas erradas e cheguei muito cedo aqui. O voo sai às 11h30 e agora são 9h.

Estou com um livro na bolsa mas me deu vontade de escrever aqui, pelo aplicativo mesmo do celular.

As coisas vão bem por aqui, apesar do frio. Sim, sou reclamona mesmo, a Trasa, minha flatmate Irish, diz que sou obcecada com o frio. É que a minha pele não foi produzida para suportar baixas temperaturas, ela está aprendendo ainda. Mas, vamos às novidades…

Semana passada, meu time de voley pediu para me registrarem pra que eu possa disputar jogos oficiais com elas, mas eu recusei. Quero apenas me divertir jogando, não quero responsabilidades, pressão. Eu me cobro muito dentro de quadra, odeio quando levanto uma bola errada ou erro um saque. Não, no momento não tô afim disso não. Mas confesso que o fato de elas me acharem muito boa me deixa beeeeemmm satisfeita (ok, o nível aqui não é lá essas coisas). O bom é que elas me deixaram treinar do mesmo jeito.

Acabei deixando um dos times que tinha escolhido porque eles queriam que eu pagasse 10 euros por semana! Por duas horas de treino! 40 euros num mês! Muito dinheiro, credo! Então fiquei só no Santry mesmo, que treina duas vezes por semana e pago 20 euros por mês.

Ontem teve mais neve aqui, mas não como da última vez, ontem foi até fortezinha, principalmente no final do dia. Tá certo que não foi, assim, uma grande nevasca, mas nevou em vários horários do dia! Eu parecia uma criança na rua, tentando comer os flocos de neve… Achei lindo! Mas provavelmente vocês já viram minhas fotos no face e/ou no Instagram.

Essa semana fechei minha próxima viagem! Eu e Sanae, minha flatmate brasileira, vamos pro Marrocos!!! Sim, Marrocos! Eu confesso que nunca na vida havia pensado em ir pra lá, mas chegando aqui vi algumas pessoas que foram e fiquei encantada pelas histórias! Serão cinco dias lá e no roteiro inclui passear de camelo e dormir uma noite no meio do Deserto do Saara, em um acampamento bérbere (ainda não tenho certeza do que é um acampamento bérbere, mas acho que bérberes são tipo uma tribo de lá, mas vou procurar no Google depois). Cara, eu vou dormir no meio do Deserto do Saara!!!! Quando na minha modesta vida eu achei que teria uma experiência dessas??? Meu amigo me disse que a noite no deserto é extremamente estrelada, e que de tão linda é difícil descrever: tem que estar lá pra ver. E eu vou veeeeerrrr!!!! A viagem é dia 25 de fevereiro, e mal vejo a hora!!! Sem contar que a previsão do tempo lá em fevereiro é de uns 18 graus! 18 graus!!!! Vou poder usar minhas saias, meus shorts, ver minhas pernas não apenas no banho!!!!! Sinto saudades das minhas pernas, quem me conhece bem sabe que sempre odiei usar calça!!! Hahahahaha… Hmmmm… Se bem que preciso pesquisar, não sei se é um país muçulmano, vai que não pode, né? Droga. Mais uma coisa pra procurar no Google.

Essa semana, depois de uma cobrança nada sutil do meu ex-chefe amigo Renato, respondi a um e-mail dele. Gosto de escrever porque sempre acabo analisando algumas coisas da minha vida. Ou melhor, colocando em palavras o que eu sinto. Meu intercâmbio nem acabou e sinto que já aprendi algumas coisas sobre mim mesma.

A primeira coisa que aprendi é que eu não sou tão fodona quanto eu pensava. Veja bem, talvez essa palavra esteja ruim aqui, mas quero dizer que eu não sou nem um pouco independente quanto eu pensava que era. Antes de vir pra cá, achava que a última coisa que iria me pegar era a saudade das pessoas. Não por não amá-las, mas por achar que me acostumei a ser sozinha e, em até certo ponto, gostar de ficar só. Mas não. Solidão só é legal quando é opcional, não quando é obrigatória.

Segundo, sinto saudade também da minha vida. Sim, aquela mesma que eu reclamava e chorava, às vezes, antes de dormir, por estar cansada de tudo e por muitas vezes não ver um sentido nela. Só eu sei hoje como eu quero voltar pra essa mesma vida, e talvez fazer algumas coisas diferentes, por ter a consciência, hoje em dia, que comodismo tem que ter limites.

Totalmente clichê, mas juro que é a verdade: a gente só dá valor mesmo quando “perde” o que tem. Precisei viver uma outra realidade pra poder olhar pra trás e ver quão sortuda eu era/sou, e quão besta fui de deixar algumas oportunidades passarem na nossa vida, diante dos nossos olhos, pelo simples medo da mudança, por não querer sair da zona de conforto.

Hoje eu penso que quando eu voltar as coisas serão um pouco diferentes, porque pretendo tentar sempre um pouco mais. Amar mais, trabalhar mais, rir mais, chorar mais, abraçar mais, me divertir mais, sonhar mais, correr mais atrás dos sonhos, me dedicar mais a fazer os outros felizes, brigar mais pelas coisas em que acredito… Quando eu voltar, quero viver mais. Mais intensamente.

Cansei de sobreviver.

Tô morrendo, morrendo de saudades de todos, mas não volto até acabar o que eu me propus. Vou viver esse sonho até o final.

Amo vocês!

Beijos a todos e… #partiuSuíça

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Neve, volley e o olhar do Gato de Botas do Shrek

Hoje, dia 16 de janeiro de 2015, completo três meses em terras irlandesas, o que significa que estou chegando à metade dessa experiência. Às vezes, sinto que o tempo está voando, outras vezes, parece que ele se arrasta, preguiçoso, devagar, só pra fazer a saudade apertar ainda mais. Acho que já escrevi isso antes, estou sendo repetitiva.

Estou com saudades, gente, é fato. Ouvi dizer que existe uma tal de “crise dos três meses” para intercambistas, que aparece quando a excitação de tudo o que é novidade se abaixa. E você percebe um monte de coisas.

Eu, por exemplo, tenho passado meus dias pensando nos meus últimos anos, e como entrei no modo automático de vida. Mas isso é assunto pra um outro dia.

Saudades à parte, essa semana foi especial, por dois motivos: arrumei vários lugares pra jogar voley e eu vi neve pela primeira vez!!!! \o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/ Tudo bem que a parte da neve não foi assim, uma graaaaande nevasca, mas eu vi caindo do céu pequenos flocos de gelo!!! Durou uns cinco minutos só, mas fiquei bem feliz! Mas, quem sabe eu tenho sorte e até o fim desse inverno eu consiga fazer um boneco de neve???

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Neve pela primeira vez!!!! (essa “caspinha” branca no meu roupão)

Quanto ao voley, foi mais fácil do que imaginei… Só joguei no Google “Voleyball Ireland” e apareceu o site de uma associação… daí, foi só fuçar no site e achar clubes e informações de contato dos responsáveis… mandei e-mail pra vários, e pra minha surpresa, quase todos responderam me convidando para ir jogar. Em um dos treinos, descobriria o motivo: brasileiros são bons em voley. Quando uma das treinadoras perguntou o meu nível, e eu disse que aprendi a jogar quando tinha 11 anos, ela disse algo como: “well, as Brazilian, if you are reasonable, you must be good”. Traduzindo livremente, brasileiros que jogam razoavelmente no Brasil são bons jogadores aqui. E acho que não decepcionei, porque vou treinar com o “High Team” (momento me achando agora).

Na segunda-feira, dia do primeiro treino, saí à procura de um tênis, e para a minha surpresa, nenhuma loja vendia tênis para voley. Pior: quando eu pedia, muito educadamente “Hi, I´m looking for shoes to play volleyball”, as pessoas tinham uma reação estranha, como se eu estivesse dizendo uma palavra nunca antes pronunciada ou algo proibido. E geralmente vinha acompanhado de “Volleyball?” com uma expressão: você tem certeza do que está perguntando?

Achei que finalmente estava com sorte quando, após minha pergunta, a atendente perguntou “Indoor ou outdoor?”. Pensando que aqui, nesse frio, seria dentro de um ginásio, respondi “indoor”, Ela então começou a me levar para uma seção da loja e eu estava quase dando pulos de alegria até que… ela me mostra uma chuteira de futebol de salão. Uma CHUTEIRA… Faltou só procurar a câmera pra ver se eu tava participando de uma pegadinha irlandesa.

Mas nada tiraria meu humor naquele dia, ou melhor, nessa semana! Agora tenho onde treinar às segundas, terças e quartas. Essa semana só joguei segunda e quarta (na terça mal consegui andar, depois de tanto tempo sem fazer exercício físico o corpo reclama). Nem mesmo a dor no corpo, a chuva e o vento forte (sério, tinha que fazer muita força pra andar – boatos dizem que chegou aos 80 km/h) me impediram de ir na quarta conhecer o time. E, apesar da falta de tradição no esporte, as meninas dos dois times que fui essa semana jogam bem direitinho! Achei o time de quarta mais estruturado, apesar de mais longe.

Fiquei bem animada, e ainda ganho um reforço no inglês, com um vocabulário diferente. Que, aliás, no meu primeiro dia já rendeu umas vergonhinhas por não entender algumas instruções… primeiro que eu achava que era uma “lifter” porque tinha procurado no Google a posição do Bruninho e achei isso, mas descobri que não é “lifter”, é “setter”.

Outra coisa engraçada aconteceu no aquecimento, quando a treinadora pediu: “only volleyball”. E pensei: “nossa, que nível, será que jogam câmbio?”. Quando a bola veio pra mim, dei uma manchete. E a treinadora pediu de novo: “only volleyball”. E eu pensando: “caramba, desde quando manchete não é voley?”. Na segunda manchete que eu dei, a menina que estava aquecendo comigo me explicou, com gestos, que “volleyball” é o nosso “toque”. E eu: anh…

Bom que aprendo coisas novas. Por falar em aprender, estive pensando em algumas coisas que aprendi nesses três meses. E não, olhar pro lado certo da rua antes de atravessar ainda não é uma delas. Infelizmente. Nessas horas, é parecido quando vai colocar o pendrive, você sempre coloca primeiro do lado errado.

Bom, segue uma listinha de coisas que aprendi aqui:

1. Xingar o frio não o diminui (na teoria), mas juro que alivia psicologicamente. Porque às vezes tá tão frio, mas tão frio, que é gostoso gritar: C@$@(&¨%, QUE P#$$@ DE FRIO É ESSE??? Muda alguma coisa no termômetro? Não, mas aquece internamente.

2. Quanto mais bonito o dia, mais frio. Fim de semana, você acorda e olha lá fora aquele céu azulzinho, o sol brilhando, e pensa: “que lindo dia, vou passear na rua”. Não antes sem vestir as três calças (legging de pelinho, meia calça de pelinho e legging “térmica” de 3 euros da Forever 21 que de térmica não tem nada), as três blusas de frio (incluindo a “térmica” de 2 euros da Forever 21 que de térmica não tem nada), o casaco, as luvas, o gorro e o protetor de orelha. E, provavelmente, nesses dias de inverno, até você acabar de vestir tudo isso já escureceu… 😦

3. O tempo pode sempre piorar. Achando ruim dias lindos e congelantes? Okay, então a outra opção é a chuva que vem de todos os lados e o vento que te arrasta. Qual você prefere?

4. Comprar casaco um ou dois números maior. O tamanho do casaco é diretamente proporcional à quantidade de roupas que você pode vestir embaixo dele – as famosas layers (camadas). Ou seja, se você comprar um casaco do seu tamanho, pode ser que não fique bom se tiver que colocar muitas camadas de roupa. Porque você nunca sabe aonde vai, que tipo e quão forte é o aquecimento lá, etc.

5. Não adianta o seu peso na balança, você sempre vai aparecer gorda nas fotos. Com quatro ou cinco camadas de roupa, sendo o casaco de cima frequentemente do tipo acolchoado e ainda maior do que o seu número? Esquece, não dá pra tentar aparentar qualquer fineza assim. E eu sou do tipo que perco a foto mas não passo frio. Claro, não sei se isso é com todo mundo ou só comigo, porque, taquepariu, viu…

6. “I´m sorry, I`m Brazilian and my English isn´t good. Can you repeat, please?” Essa frase é tiro e queda, principalmente quando vem aliada com aquele olhar do Gato de Botas do Shrek, e uma voz bem suave. Aprendi isso no dia a dia. Porque dificilmente pessoas do restante do mundo não gostam de brasileiros, geralmente elas sempre falam algo como “já estive no Brasil há alguns anos atrás” ou “gostaria de conhecer o Brasil”. Mas também acredito que ser humilde e educado abre portas e gentileza gera gentileza. E o mais legal é que na maioria das vezes vem acompanhado de: “but your English is very good”, o que acredito ser uma maneira deles incentivarem a gente (eles não entendem que o difícil é entender o que eles falam, mas ok). Acho isso muito legal. E essa frase me ajudou muito na Escócia também, ou seja, não é coisa apenas de irlandeses. Agora, se mesmo assim, depois da terceira vez, não deu pra entender, recorro à…

7. Cara de “entendi o que você falou”. Acho que sou boa nisso. E tem hora que não dá mesmo, é melhor você recorrer a esse artifício (em último caso, claro), até mesmo para não frustrar a pessoa que está falando com você. Como faz essa cara? É quase um jogo de observação, simples demais: quando a pessoa rir, ria. Siga com o olhar os gestos dela. Dependendo da entonação, solte palavras chaves, como “really?” “ok”, “yes”. E, principalmente, agradeça sempre. Você pode até não entender direito o que a pessoa falou, mas se ela passou 30 segundos do seu tempo conversando, te contando algo ou dando alguma informação, é o mínimo que você pode fazer.

See you, people!

Beijos, saudades, te amo.

gato
Pra quem não sabe, esse é o olhar do Gato de Botas do Shrek

Porque, às vezes, tudo o que a gente precisa é escrever…