aquele sobre o pós operatório

E a cirurgia aconteceu, e correu tudo bem. Eu sei que demorei pra vir relatar como tudo aconteceu, mas é que comecei a escrever no meu Instagram. Mas como eu tenho um pouco de TOC e não sossegaria por deixar a “saga” incompleta aqui, estou de volta.

Essa sou eu, horas após a tireoidectomia total.

Após eu postar o último texto, fui para uma área de pré-operatório no hospital até chegar a minha hora. O anestesista passou e fez aquelas perguntas básicas. Pela primeira vez, me levaram ao centro cirúrgico de cadeira de rodas. As outras vezes eu fui deitada numa maca, olhando pro teto e pensando “como eu vim parar aqui”.

Não que não tenha dado tempo de pensar nisso. Antes de entrar no centro cirúrgico, saí da cadeira de rodas e deitei em uma maca, esperando virem me buscar pra cirurgia. E nesses minutos sozinha, olhando pro teto do hospital, é quando chega a hora de reflexão. Pensei em tudo o que aconteceu desde o dia 29 de julho, quando fui no ginecologista com aquele tanto de resultado de exame de rotina e ele disse: “acho que você deveria procurar um médico de cabeça e pescoço”. Naquele dia, eu poderia até esperar que ele falasse que eu estava grávida, mas nunca imaginaria que eu teria algum problema na tireoide.

E lembrei da primeira visita à Dra. Samara, ela tentando apalpar alguma coisa na tireoide, depois ela lendo o resultado do exame e dizendo: “o-ou, temos alguma coisinha aqui”, e sublinhando no exame as microcalcificações. E então a biópsia, no dia 6 de agosto, e o médico dizendo pra eu não me preocupar, que aquilo ali não era nada. 10 dias depois, o resultado em mãos, e uma sensação de ficar sem chão ao ler a palavra “carcinoma”.

O retorno na Dra Samara, vamos pensar por fases, vamos fazer uma tomografia pra saber se os linfonodos foram afetados. Sai resultado da tomo, um linfonodo inchado, vamos fazer outra biópsia pra saber se esse linfonodo tem algum material cancerígeno.

Não, não tinha, ótimo. Retorno na Dra Samara, marcamos a cirurgia pra pouco mais de um mês depois, mês esse que passou em horas com tanto trabalho e obra no apartamento e mudança e open house e show de Sandy e Jr até que… estava ali, deitada e pensando em como seria a minha vida a partir daquele momento.

E antes que eu ficasse emotiva, já me levaram pro centro cirúrgico, aquele lugarzinho gelado, e começou aquela movimentação típica da cirurgia. Chega o anestesista que vai acompanhar a cirurgia, conversa comigo, chega a Dra Samara, pergunta se eu me mudei e se o show foi bom (btw, foi maravilhoso), começam a me preparar para a cirurgia. A última coisa que me lembro foi eu falando: “boa cirurgia, pessoal”, um segundo antes de colocarem a máscara de oxigênio.

Imagino que isso seria por volta das 10h30. Quando acordei, ou melhor, a primeira lembrança que eu tenho depois, foi de ter acordado no trajeto entre o centro cirúrgico e a sala de pós operatório e perguntado as horas. Era 1 da tarde.

Por volta das 16h, finalmente, liberaram um quarto e eu pude ir encontrar minha mãe. A médica tinha ligado pra ela pra falar que a cirurgia foi um sucesso e que as paratireoides foram preservadas. Consegui comer, apesar do desconforto na garganta (sim, parece que você tem um ovo nela). Pra variar, passei quase a noite toda em claro, o que tem se tornado comum em hospitais pra mim. Acho que tenho algum problema com a anestesia, porque não consigo dormir de jeito nenhum. Só consegui dormir porque me deram um remedinho, que demorou a fazer efeito.

No outro dia (sexta-feira, dia 18) alta. Os níveis de cálcio não caíram absurdamente, então pude voltar pra casa. No sábado, fui pra Passos. Tomei remédio pra dor (Ibuprofeno) por três dias e antiinflamatório (Celocoxibe) por cinco.

O pós-operatório é razoavelmente bem tranquilo, você só não pode pegar peso. Também fiquei sem poder molhar o curativo por uma semana, até voltar ao consultório, e isso foi a parte mais chata. Estava muito quente em Passos, mas fazia assepsia do local com umas almofadinhas de álcool.

Na sexta-feira seguinte, dia 25 de outubro, voltei ao consultório para retirar os pontos, mas o resultado da biópsia ainda não tinha saído. A partir desse dia, comecei a passar a Kelo-cote com FPS na cicatriz duas vezes ao dia. Como recomendações, ainda não pegar peso e não tomar sol na cicatriz, utilizando três camadas de micropore quando sair na rua.

Dia em que os pontos foram tirados.

Voltei ao trabalho dia 28, ainda de casa para não carregar mochila com o notebook pro trabalho. Dia 30, quase duas semanas após a cirurgia, voltei ao consultório para ver o resultado da biópsia. E sim, gente, era câncer. Mas era um “microcarcinoma papilífero de 0,5 cm” que não tinha se espalhado para nenhum linfonodo, o que, de acordo com a Dra Samara, era uma excelente notícia, pois isso significaria que eu não iria precisar da temida iodoterapia.

Nesse dia, foi como se um peso tivesse saído das minhas costas. Estava muito feliz de não ter que passar pelo tratamento, por mais que eu saiba que é super seguro, que é só um dia, que o cabelo não vai cair e etc etc… (voltaremos a falar sobre isso, no próximo post).

E hoje, como estou?

Foram 25 dias desde a minha cirurgia e não vou mentir: ainda sinto um desconforto ao ingerir líquidos e sólidos. Também acho que minha voz está um pouco mais grave. Engordei uns 3 kilos, mas não sei se tem a ver com o fato de eu ter parado de fumar (não fumo desde a véspera da cirurgia) ou com a falta dos hormônios. Estou tomando Puran de 112 mcg desde o dia 25 de outubro e também cálcio e vitamina D. Tenho tido muita dificuldade pra dormir, muita mesmo. Sempre fui boa de dormir, mas agora eu acordo várias vezes durante a noite e não consigo dormir logo. Conversei com a minha médica e ela disse que o remédio pode estar forte, mas temos que esperar 40 dias, até fazer o exame para saber como meu corpo está reagindo com essa quantidade de hormônio. Ou seja, 3 de dezembro. Espero que meu sono regularize até lá, senão tô lascada. Meu cérebro não funciona sem uma boa noite de sono. Me perguntaram se estou tendo variações de humor, mas não consigo avaliar isso, mesmo.

Antes de terminar esse texto, gostaria de contar que desde a minha cirurgia, tenho postado fotos no Instagram com as hashtags #tireoidectomia, #cancerdetireoide, #carcinomapapilífero e outros. É incrível a quantidade de mulheres que veio falar comigo sobre a experiência delas e me perguntando sobre a minha experiência. Meu Instagram é aberto, e por isso elas têm esse canal.

Sei que poucas pessoas gostam de ler textos longos como esse, então tenho usado o Instagram para atingir as pessoas que eu gostaria de atingir quando comecei a escrever minha saga contra esse câncer de tireoide. Encontrar pessoas que tenham passado pelo o mesmo que eu ou pessoas que acabaram de descobrir que terão de lidar com isso, e poder compartilhar um pouco dessa experiência, de uma maneira (quase sempre) positiva.

Espero que tenham gostado. Infelizmente, esse não é o último capítulo dessa saga. Vamos falar sobre a radioiodoterapia, ou iodoterapia para os íntimos. Mas isso é assunto para o próximo post.

aquele sobre o dia da cirurgia

E então chegou. Exatos dois meses e um dia depois de abrir aquele maldito exame, cá estou eu, a caminho do hospital (agora são 6h40).

A internação é às 7h, cirurgia às 10h. Os últimos dias, desde que escrevi aqui pela última vez, foram insanos. Fiz uma obra em pouco mais de um mês, me mudei em meio ao caos, muita coisa no trabalho, mas consegui. Não sei como, mas eu consegui.

O bom de todo esse caos é que, com meus dias tomados de coisas para resolver e problemas para administrar, mal tive tempo para pensar na cirurgia. E aí, ontem à noite, quando desliguei o computador, bateu aquele frio na barriga. O dia chegou e eu nem vi. Foi pouco mais de um mês desde que a cirurgia foi agendada e nem tive tempo para processar.

Aí ontem à noite, sentei na varanda de casa e fiquei pensando. A partir de hoje, muita coisa muda na minha vida. Eu estou tranquila, claro, não é minha primeira cirurgia, mas… ai que sacoooo!!! E muitas vezes me pego passando a mão de forma inconsciente no pescoço, no lugar que vai ficar a cicatriz. Ah, meu, e essa cicatriz??? Que raiva.

Mas tem o lado bom, claro. Ao comparar meus exames feitos em maio e setembro, percebe-se que os níveis de T4 e algum outro que não lembro, que são relacionados à tireoide, caíram muito. Então, pelos meus conhecimentos de Google, acho que a tireoide tá parando. E eu sei que o remédio que vou ter que tomar pro resto da vida vai me fazer bem.

A cirurgia dura em torno de 2 horas. Correndo tudo bem, amanhã eu tenho alta e sábado vou pra Passos. Quinta que vem eu volto pra tirar os pontos.

Como eu acho que vai dar tudo certo, nem vou escrever o rolê que seria se desse algum problema. Caso aconteça, volto pra escrever pra vocês.

Já estou aqui esperando liberar o quarto pra internar e confesso que estou meio ansiosa. E com fome e sede só porque não posso comer e beber. Mas é normal, né? Quem não estaria?

É isso, gente. Daqui a pouco resolvo esse problema. Mais tarde ou daqui a alguns dias eu volto pra contar como foi.

Obrigada pelo carinho de sempre. E desculpem qualquer erro de português, estou escrevendo pelo aplicativo do celular e não vou revisar antes de postar.

Até daqui a pouco. Wish me luck!

aquele sobre o saldo positivo

Oi gente! Como prometido, eu voltaria apenas quando tivesse novidades e definições. E (SPOILER ALERT!), trago boas notícias.

No último post, eu ainda estava meio puta de ter que passar por isso, e correndo o risco de ter que fazer mais do que a retirada da tireoide. Estava frustrada por não ter definições, por talvez ter que cancelar planos, mas agora estou melhor.

Ontem fui na médica mas foi tanta correria que não consegui tempo pra escrever pra vocês. Neste momento, estou deitada no chão de cimento do meu apartamento, esperando receber materiais da reforma – não entendo porque eles resolveram entregar justo em um sábado, mas ok.

Mas vamos começar do começo, certo?

Na quinta-feira passada (5 de setembro), depois de quase duas semanas, fiz a biópsia do linfonodo. Chegando lá, o médico não conseguia achar o tal linfonodo aumentado, o que foi me deixando muito feliz 😊, mas depois de um certo tempo, ele acabou achando ☹. Era bem em cima, próximo da orelha esquerda. A biópsia correu bem, apesar de ter ficado com a orelha dormente durante umas horinhas e com o pescoço bem dolorido por uns três dias. Mas foi culpa minha, não segui as orientações do médico e acabei pegando peso no dia. Aí já era, né? Na primeira noite não consegui nem dormir do lado esquerdo. Só estou falando isso pra alertar: siga sempre a orientação do seu médico.

Durante a biópsia, o médico disse que pela aparência o linfonodo era de boa, mas e o medo? Na outra biópsia o médico tinha dito a mesma coisa sobre o nódulo da tireoide e não foi bem isso que apareceu no resultado.

No papel, o resultado sairia apenas no dia 16, mas vocês me conhecem, né? Já na sexta-feira liguei no laboratório, lembrando que minha médica tinha pedido urgência. A moça me falou que era de 3 a 5 dias úteis, mas pra eu ligar na segunda. Liguei segunda, nada. Liguei terça de manhã, nada ainda. Liguei terça no final da tarde, o resultado no computador do laboratório constava como “parcial”, o que significava, de acordo com a recepcionista, que sairia na manhã de quarta. Liguei na manhã da quarta – “a partir do meio dia, certeza”, a moça me garantiu. Deu 12:01 (ansiosa?) e liguei de novo… “olha, me passa o seu telefone que quando sair eu te ligo, pode ser?”

E por incrível que pareça ela realmente ligou e mandou o resultado por e-mail… Eu já estava tranquila (apesar de que, lendo o parágrafo acima, não parece isso) porque um pouco do que eles coletaram na biópsia tinha ido para o laboratório para detectar a presença de tiroglobulina no linfonodo. E pelo o que eu li e conversei com a médica, a tiroglobulina ali no linfonodo seria uma espécie de marcador tumoral, significando que o CA estava se espalhando.

[CA é aquela doença, tá, gente? Não vou escrever essa palavra pra não atrair. Nos outros posts até têm, mas como nos exames eles se referem a CA papilífero, não vou ficar escrevendo isso.]

Continuando…

A moça mandou o laudo da biópsia e o resultado foi lindo: CITOLOGIA NEGATIVA PARA MALIGNIDADE, SUGESTIVA DE HIPERPLASIA LINFOIDE REACIONAL.

“Que legal, Sthê, e o que isso significa? Mas e o resultado da outra biópsia?” Até meu irmão ficou confuso, então vamos lá. Esse resultado é diferente do outro porque são coisas diferentes. Ainda vou fazer a cirurgia pra tirar a tireoide porque o exame indica que tem um CA papilífero lá. Mas pelo fato do CA não ter se espalhado, ou seja, não ter metástase, não vou precisar fazer o tal do esvaziamento cervical, que consiste em retirar a cadeia de linfonodos infectada. Então, é uma cirurgia mais “simples”, com apenas uma cicatriz na parte da frente do pescoço, com uma recuperação mais rápida. E isso é motivo pra comemorar!!!

Ontem passei na médica e ela, já sabendo da minha correria, perguntou quando eu gostaria de operar. Fui muito sincera e falei: “doutora, pra mim seria ideal depois do dia 12 de outubro. Peguei as chaves do apê semana passada, a obra começou essa semana e nessa data deve estar tudo pronto. Além disso, meus irmãos vêm pra cá nesse fim de semana e dia 13 tem o show de Sandy e Jr. Mas, assim, não marca logo dia 14 não porque eu vou encher a cara no fim de semana, dá uns dias pro álcool sair do meu corpo.” Então, marcamos pro dia 17 de outubro, uma quinta-feira, às 10h.

É uma cirurgia relativamente simples, entra num dia e sai no outro. Sobre o período de recuperação, apesar de eu ter lido e conversado com pessoas que me falaram que em dois dias já podia voltar a trabalhar, ela quer que eu fique uns 7 dias quietinha. É que ela não sabe que eu sou a rainha de recuperação de cirurgia, mas isso a gente vê depois.

Falamos sobre a iodoterapia e ela disse que só saberemos se vou precisar fazer após a biópsia da cirurgia, porque tudo depende do grau de comprometimento do tecido. Mas 4 milímetros é tão pequeno que não deve ter dado tempo desse fdp comprometer nada. Estou achando que nem precisar de iodoterapia eu vou.

E é isso, gente, cirurgia marcada, obras a todo vapor no apartamento, show confirmado, meu pai se recuperando muito bem da cirurgia dele, cada dia mais feliz no trabalho… Dia 12 de outubro vai rolar um churras de despedida da tireoide, quer dizer, um open house, e é isso. Só coisa boa… não tem nem um mês que descobri esse CA e, por mais que as coisas parecessem horríveis no começo, tenho certeza que tudo vai ficar bem.

Claro que eu preferiria não ter que passar por mais uma cirurgia (a 5ª em 36 anos) mas, nesses momentos meio nebulosos você consegue perceber quem são seus verdadeiros amigos, aquelas pessoas que você sabe que pode contar. Alguns eu já sabia, lógico, mas tive várias surpresas – boas e ruins. Claro que nem todo mundo sabe porque nem todo mundo gosta ou tem tempo de vir aqui e ler o blog, e isso não é uma coisa que a gente sai falando para qualquer um. Recebi carinho de lugares que eu não esperava, me decepcionei com outras pessoas. Mas o saldo é positivo.

Aliás, o saldo é sempre positivo, mesmo que, em um primeiro momento, você não consiga enxergar. E que venha os próximos 33 dias que serão de muita loucura nessa obra! E esse material que não chega!!!!

Eu volto, gente, não sei quando, mas eu volto. Obrigada pelo carinho, de coração!

aquele sobre o não saber

Antes de contar o que aconteceu desde o último post, eu queria agradecer a todo o suporte que tenho recebido de várias pessoas. Foram muitas mensagens de carinho, MUITAS pessoas me contando casos de conhecidos que passaram pelo mesmo problema que eu… isso tem sido tão importante, vocês nem imaginam!

Eu sei que no post anterior eu estava mega otimista, mas hoje não estou me sentindo assim. Quer dizer, acho que continuo otimista, mas estou meio puta. Não sei explicar o que estou sentindo. É um misto de raiva, frustração e ansiedade. Não estou com medo. Eu sei que é algo simples, altamente curável e etc, mas é o “não saber” que me deixa assim. É a impotência de não saber ainda o que vai acontecer, de não poder controlar nem decidir nada. É a raiva de fazer planos e sonhar por tanto tempo e agora correr o risco de não conseguir fazer as coisas do jeito que eu planejei. De ter que adiar as coisas. É a tristeza de talvez ter que passar por uns procedimentos chatos que podem me fazer engordar (ainda mais), me enfraquecer. É de ter virado, do dia pra noite, a pessoa “doente” – e não me sentir doente! Não é medo de nada… é tipo: ah, putaquepariu, lá vou eu de novo!

Mas vamos começar do início. 

No último post, contei como descobri o “suposto” câncer de tireoide (ainda não perdi a esperança de que não seja nada) e falei sobre a primeira fase, que aconteceu na quarta-feira, dia 21 de agosto.

Agendei a tomografia computadorizada do pescoço e autorizei a usarem contraste – apesar de achar que eu era alérgica a iodo. No fundo, eu queria descobrir se essa alergia era real ou algo em que eu acreditava, até mesmo para me preparar psicologicamente para uma possível terceira fase de tratamento. Não que eu ache que seja câncer, mas se for, vai que eu preciso usar o tal do iodo radioativo, né?

E aqui eu tenho mais uma reclamação: no post passado, não entendia como uma biópsia precisa ter acompanhante – e agora não entendo como um exame com contraste pode ser feito sem ninguém. Fiz o exame com contraste e estava muito, muito nervosa. O médico disse que não teria problema se eu descobrisse ser alérgica ali, eles aplicariam anti-histamínico na hora e ficaria tudo bem. Eu estava tão nervosa que parece que tinha que pensar para respirar – e olha que eu só fui descobrir depois que, lá pelo início dos anos 90, meu pai (ele sim, uma pessoa alérgica a iodo) quase morreu na mesma Beneficência Portuguesa, quando fez um exame com contraste. Foi ali que ele descobriu que era alérgico e agradeço à minha mãe por não ter me contado isso antes do exame, senão eu nem sei se o faria.

O resultado do exame saiu hoje cedo, e quando estava a caminho da minha consulta, consegui ler pela internet. Lembram que médica tinha dito que não poderia dar alteração nos linfonodos? Pois é, deu alteração em um. Estava super desanimada enquanto esperava, mas depois que conversei com a médica ela me explicou que esse aumento do linfonodo pode ser reativo a alguma infecção, gripe, etc. Não necessariamente significa que o suposto câncer tenha se espalhado, mas, como esse linfonodo está do lado esquerdo (o mesmo lado do nódulo na tireoide), precisamos verificar isso.

Por isso, ela solicitou uma punção desse linfonodo. Ou seja, entrou uma fase 1¹/² aí nesse processo, que é a punção desse linfonodo. Ela me pediu que eu fizesse esse exame na BP e assim que saí já liguei para agendar. O que me deixou puta é que só consegui vaga para o dia 5 de setembro, ou seja, daqui a 15 dias!!! Por mim eu fazia hoje mesmo – se bem que não dava porque precisa de jejum. Mas sei lá, queria fazer logo para descobrir logo o que tem nesse linfonodo para resolver logo o que vamos fazer. Vamos fazer a cirurgia agora? Então vamos fazer já. Vamos esperar? Então ok.

Fiquei frustrada porque achei que hoje teria uma definição e agora vai demorar pelo o menos uns 20 dias para eu conseguir voltar na médica para decidir os próximos passos. E eu odeio indefinição na minha vida, em qualquer esfera.

Meu Deus, que agonia é essa espera! E eu praticamente implorei para a moça da BP me ajudar, me encaixar, me avisar se surgisse um horário antes, e nada. Falei que dependendo do resultado desse exame eu já quero estar operada e voltando ao trabalho no dia 5 de setembro. Mas nada. Pensei em fazer particular achando que era no máximo uns mil reais, mas era quase 2,5k. É. Não dá. Tô montando um apartamento.

Chegando ao trabalho, decidi conversar com o médico da empresa. Sempre foi um cara legal comigo, desde quando eu trabalhei lá pela primeira vez, há 10 anos atrás. Nas outras duas cirurgias que fiz enquanto estava lá, sempre passava no consultório para bater um papo.

Foi muito bom conversar com ele. Falou para eu ficar tranquila, que 5 de setembro está logo aí, que não é isso que vai fazer a diferença em alguma coisa. Disse também que essa punção é importante para decidir não apenas a data da cirurgia, mas também se vai ser apenas a tireoidectomia ou se faremos um esvaziamento cervical. Foi meio assustador quando ele falou da cicatriz desse esvaziamento cervical, mas achei melhor não pensar nisso e questionar minha médica depois.

Mas, o principal que ele me falou foi: “Sthefani, você está em negação. Você está com um câncer na tireoide e está me dizendo que agora não é uma época boa pra isso. Não adianta, você vai ter que operar.” Eu disse que não é negação, mas eu ainda acredito que pode não ser câncer, apesar de serem altas as chances. Eu já aceitei a cirurgia, ok se vou tomar hormônio pro resto da vida, eu sei que muita gente passa por isso, eu sei que não vou morrer por isso. É que eu não acho que eu esteja doente, eu não sinto que eu tenho câncer. E ele falou: “mas tem, Sthefani, e você tem que aceitar isso. Já foi puncionado, diagnosticado, as células estão aí. Quanto mais cedo você aceitar, melhor”.

Não é negação, gente, mas se existe uma chance de, na hora que eu operar e fizer a biópsia, aparecer lá que não é câncer, porque não me apegar a isso? Porque não acreditar que isso pode acontecer? E, vamos lá… 0,4 cm???? Eu desenhei no PowerPoint esses dias e 0,4 cm é ridículo de pequeno!!!! Eu já tirei um mioma do útero “do tamanho de um mão fechada” e não era nada!

É isso, pessoal. Vou ligar todo dia na BP para tentar adiantar o exame, mas se nada mudar, só volto aqui depois que tiver o resultado do exame nas mãos. E, espero, uma definição sobre os próximos passos. Desejem-me sorte.

aquele sobre saúde

Oi gente…

Eu sei, estou sumida, e sei que tinha prometido que isso não aconteceria mais, mas tanta coisa aconteceu nesses últimos meses. Comprei um apartamento, mudei de emprego e agora… bom, por isso eu voltei, para compartilhar uma coisa com vocês.

Vamos lá: em maio comprei um apartamento, duas semanas depois fui desligada do emprego em que eu estava. O que poderia ser uma péssima notícia se transformou na melhor coisa que poderia ter me acontecido, pois assim tive oportunidade de voltar para um lugar que eu AMO trabalhar. E foi assim que eu voltei para a empresa que estou hoje.

No período que fiquei “de férias”, digamos assim, aproveitei para fazer meus exames de rotina, aquele check up anual. Peguei os resultados em junho mas só consegui voltar ao médico na última semana de julho. Claro que eu abri todos os exames – sou a louca do google – mas nem dei atenção ao exame de tireoide. Vi que continuava com um nódulo de cada lado, vi que o tamanho ainda era pequeno, não tinha crescido de um ano pra cá e nem me preocupei. Ainda bem.

No dia 29 de julho, fui no meu médico que pediu que eu procurasse um médico de cabeça e pescoço. Oi? Eu nem sabia que existia um médico de cabeça e pescoço. Claro que quando cheguei em casa joguei no google e comecei a me preocupar. Consegui marcar uma médica na Beneficência Portuguesa para o dia 31 de julho, que pediu uma biópsia.

Aí vocês me perguntam: mas porque você teve que fazer isso se ano passado você já tinha esse nódulo? Apesar do tamanho ter continuado igual, as características do nódulo mudaram. Em 2018, ele era “misto (componentes cístico e sólido com predomínio sólido), medindo 0,4 x 0,4 x 0,3 cm”. Já no ultrassom deste ano, o nódulo havia se tornado “hipoecóico, de contornos mal delimitados, com pontos ecogênicos que podem corresponder a microcalcificações no seu interior, medindo 0,4 x 0,5 x 0,4 cm”.

Bom, marquei a punção da tireoide para o dia 6 de agosto. E aqui tenho uma reclamação: não entendo o motivo de ter que levar um acompanhante para um exame tão simples. Tem uma anestesia leve no local e, fora uma ardência de 3 segundos, quando entra a anestesia, o exame é totalmente indolor. Li por aí pessoas falando que dói, mas não dói nada. E você sai andando lindamente, como se nada tivesse acontecido. Trabalha normalmente o resto do dia, é igual tirar sangue.

Quando entrei na sala da punção, o médico me disse para ficar tranquila, que aquilo provavelmente não seria nada, era 99% de chances de ser apenas um zelo especial do médico. Disse que é muito pequeno e que poderia até acontecer de não conseguirmos amostra suficiente, mas que eu poderia ficar sossegada.

Não sei se ele falou isso porque ele realmente achava ou se era pra me dar paz nos 10 dias que demorariam pra sair o resultado da biópsia. De qualquer forma, agradeço a ele porque eu nem pensei mais nisso nos dias que se seguiram. Nem joguei mais nada no google porque na minha cabeça o resultado seria lindo. Fiquei até me sentindo meio com vergonha de ter preocupado os outros por algo que não era nada. Tipo tempestade em copo d’água. Pensava em nem voltar mais na médica, mas, por precaução, deixei agendado o retorno para depois que saísse o resultado.

Dez dias depois, como não conseguia ver o resultado pelo site, resolvi ir ao hospital pegar o resultado. Sexta-feira, 16 de agosto, final do dia. Peguei um táxi porque assim conseguiria pegar corredor e chegar logo no hospital. Peguei o exame. E abri, claro que abri. Foi aí que apareceu: citologia suspeita para malignidade, sugestiva de carcinoma papilífero da tireoide (categoria V de Bethesda). Lembrando que eu não tinha pesquisado nada específico sobre resultados de biópsia. Aí você lê malignidadeCarcinoma.

Pela segunda vez esse ano, eu senti uma onda de calor dos pés à cabeça. Um choque percorrendo meu corpo. Como assim? O médico não tinha dito que não era nada? Mas como eu posso estar doente se eu não me sinto doente? Esse resultado está errado, tenho certeza que esse resultado está errado.

Isso numa sexta-feira à noite. A médica era só na segunda. Como eu passaria o fim de semana inteiro sem uma resposta? Eu acabei de comprar um apartamento. Acabei de (re)começar num emprego novo. Esse resultado está errado. Esse resultado tem que estar errado.

Quando eu li a conclusão, as palavras malignidade e carcinoma gritavam na minha cara, mas se vocês repararem bem ali, tem duas palavrinhas que fazem toda a diferença: suspeita e sugestiva. E isso significa que nada está definido.

Mas a gente tem anjos, né? Todo mundo tem os seus. Além de falar com minhas amigas mais próximas, eu liguei para um primo médico que mora aqui em São Paulo. Mesmo sabendo que não é da área dele, eu precisava de um médico pra “ler” aquele exame pra mim. Isso tudo dentro do hospital. Ele conseguiu me deixar mais calma, me disse que nada era 100%. Quando cheguei em casa, mandei os exames anteriores, ele foi atrás de um médico de cabeça e pescoço para me dar uma luz no fim de semana, para que eu não ficasse surtada.

Não quis contar para meus pais no dia, eu estava muito nervosa e sei que poderia deixá-los preocupados – mais pelo estado em que eu me encontrava do que pelo resultado do exame. Liguei para meu irmão porque ele sempre consegue falar com uma voz calma, bem pontuada.

Quando voltei pra casa, comecei a ler coisas na internet e, confesso, dessa vez serviu para me acalmar. Como disse o médico de cabeça e pescoço que meu primo conversou: “ninguém morre disso”. 

Hoje fui na minha médica de cabeça e pescoço (adoro falar médico de cabeça e pescoço!) e era mais ou menos o que a gente esperava. Vamos operar, fazer uma tireoidectomia total – em português claro, vamos tirar toda a tireoide. Como tá uma correria louca na minha vida, perguntei se haveria problema de adiarmos essa cirurgia por mais ou menos 2 meses pra eu poder colocar as coisas no lugar. 

Como esse tipo de câncer de tireoide é pouquíssimo agressivo, ela não vê problema algum em fazermos mais pra frente – se eu estiver tranquila (o que estou) e se a tomografia que vou fazer daqui a dois dias não indicar problemas com os gânglios (ou linfonodos). Caso isso aconteça, significa que o câncer está se espalhando. Nesse caso, vamos operar assim que possível. 

Infelizmente, ela me falou que as chances de ser câncer são bem altas e que, na experiência dela, apenas em uma pessoa foi constatado que era benigno. Só que eu também sou caso raro, né, amores, adoro contrariar as expectativas.

“Mas, e aí, Sthê, e se for câncer?” Se for, gente, pode ser que eu passe por uma terceira fase do tratamento, que envolve iodo radioativo, ficar uns dias em isolamento (serei literalmente uma pessoa tóxica.. kkkkkk), e vida que segue. Pela minha idade, pelo tipo e pelo tamanho do nódulo, a chance de cura é praticamente 100%. Entretanto, uma coisa de cada vez. Vamos por fases. Fase 1: tomografia do pescoço. A médica também disse que nem todo mundo que opera e é câncer tem que fazer esse tratamento com iodo. Ou seja… não dá pra saber nada ainda.

Sim, é chato operar. O timing não poderia ser pior com essas coisas do apartamento, do emprego novo, meu pai acabou de passar por uma cirurgia pra colocar uma prótese no joelho… Mas a tireoidectomia, apesar do nome feio, é uma cirurgia relativamente simples e eu sou boa de recuperação de cirurgia… sem querer parecer fútil, mas uma das coisas que mais me preocupa (pelo o menos agora), é a cicatriz… sei que no começo as pessoas vão olhar. Eu olharia pra uma pessoa com uma cicatriz no pescoço! Mas também sou boa de cicatrização, e depois de um tempo, quando ela não estiver mais vermelhinha, ninguém vai conseguir identificar. 

Enfim, é isso, gente. Não é o melhor diagnóstico do mundo mas também não é nada pra se preocupar. É chato? É, mas tem que fazer, não tem? Então vamos. Ponto positivo: era o que faltava pra eu parar de fumar de vez. Não vou ficar jogando fumaça pra dentro de uma garganta cortada, né?

Sabe o que é engraçado? Todo mundo conhece alguém que já passou por isso. Sério, de todas as pessoas que eu falei, sempre me contam histórias positivas de pessoas que tiveram que operar a tireoide e estão muito bem, mesmo as que tiveram o câncer. Então não tem nem como ficar preocupada!

Eu estou bem, não me sinto doente. Mas o problema do câncer da tireoide é esse, não tem sintoma, só o hipotireoidismo. Eu tive muita sorte por ter um médico que pede todo ano pra fazer ultrassom da tireoide e por isso descobri cedo, tão recente que estou chegando apenas agora no hipotireoidismo. Por isso estou tranquila. Surtei quando abri o exame? Surtei. Chorei pra caramba no sábado de manhã? Chorei. Mas eu estou muito confiante que vamos resolver isso logo, sem correria, no tempo certo. 

Assim que eu for passando pelo processo, venho compartilhar com vocês, ok? Semana que vem falo sobre o resultado da tomografia e a marcação da cirurgia.

PS: Resolvi escrever sobre isso porque, ao procurar sobre essa cirurgia, achei vários blogs. E é muito bom saber de pessoas que passaram por todo esse processo e estão bem, saudáveis, com filhos, e felizes. É melhor ler isso do que os artigos científicos com números e porcentagens. Quero saber de pessoas e não de números! Se você chegou aqui ao pesquisar sobre o tema e está passando ou já passou por isso, fique à vontade para entrar em contato comigo. 

Obrigada por lerem esse texto enorme. E quem quiser mandar boas energias, orar, rezar ou pedir por mim, fiquem à vontade. Sentimentos bons nunca são demais.

aquele sobre sinceridade

No meu último post, tinha combinado de que o próximo seria sobre sinceridade. Pois bem, aqui estou.

Meu grande amigo e ex-chefe vivia me dizendo que eu sou “a pessoa mais sincera do mundo”, e que isso não é um elogio. Demorou anos e anos, mas acho que finalmente estou aprendendo isso. E eu só comecei a aprender quando fui ler mais sobre a tal da responsabilidade emocional – o tema do post anterior.

Ao procurar o significado de sincero no Aurélio, você encontra uma excelente descrição: “que é verdadeiro e espontâneo; que exprime só o que sente e pensa; que traduz o que sente no coração; cordial; verdadeiro; leal; natural.”

Como, então, eu poderia em sã consciência, escrever algo para condenar a sinceridade? Simples, minha gente: porque a sua “sinceridade” pode magoar uma pessoa. Destruir a autoestima e trazer danos difíceis de reparar. Isso sem contar que o que você sente e pensa não representa uma verdade universal. A sua verdade é sua, e expressar algo que vai prejudicar o outro – e que não trará benefício nenhum pra você – é maldade. Pura e simples.

Um exemplo disso são os haters da internet – que, aliás, é O lugar de gente sincerona. Sempre tem alguém destilando suas sinceridades e verdades ali. Vomitando o que pensam. Pra quê? Em busca de serem notados e likes? Melhor é quando as pessoas falam e falam um monte de merda, mas a descrevem como dicas ou conselhos.

Esses dias li um texto que falava que se você tiver um “toque” pra dar pra alguém e que a pessoa não possa resolver em 5 minutos, é melhor ficar calado. Por exemplo, a pessoa tem algo no dente, você a avisa e ela resolve. Agora, sua amiga cortou o cabelo drasticamente e VOCÊ achou que não ficou bom: você precisa realmente dizer a SUA verdade? O que isso pode agregar a você? Vamos tentar pensar aqui em empatia, né, gente?

Eu dei esses exemplos bem banais e cotidianos, mas o motivo que me levou a escrever esse texto é bem mais pesado. Esses dias escutei uma “sinceridade” que realmente me abalou. E eu sei que vai me atormentar por um tempo ainda. Fico pensando se a pessoa que falou imagina como isso tem me afetado – e se isso foi de propósito. Não sei nem nunca saberei.

Se tudo tem um lado bom, isso me levou a pesquisar mais sobre a responsabilidade emocional e a reavaliar meu comportamento com as pessoas que me são próximas.

Imaginem como tem sido difícil pra mim, uma mulher de Áries com ascendente em Áries, trabalhar com essa questão da sinceridade. Qualquer perfil que você encontre de Áries fala sobre essa coisa de ser sincera demais e impulsiva demais. Mas hoje eu começo a entender e sei que não posso mais me esconder atrás da desculpa do signo, nem de personalidade.

Vivemos em sociedade e construímos relações com os outros seres humanos. Não dá pra sair falando tudo o que se passa na sua cabeça e depois bater no peito e falar: mas eu sou sincero.

A verdade, gente, é que as palavras podem causar ferimentos invisíveis difíceis de cicatrizar. Por isso, hoje em dia, tenho tentado pensar mil vezes antes de falar tudo o que eu penso e sinto.

Até o próximo, pessoal.

aquele sobre responsabilidade emocional

Já faz algum tempo que estou pensando em escrever sobre esse tema. Mas hoje, com toda essa “polêmica” em torno de Bruna Marquezine, Neymar e Anitta, o assunto veio à tona.

Me corrijam se eu estiver errada, mas acho que nos últimos tempos tem se falado bastante disso. Tanto que, no google, ao escrever responsabilidade, “afetiva” vem em terceiro lugar e “emocional” em quinto.

Pesquisando em vários sites, achei uma definição bem legal, que fala que responsabilidade afetiva é quando tratamos os sentimentos das pessoas com quem nos relacionamos com empatia, seriedade e respeito.

A sociedade evoluiu tanto que, nesse mundo de tecnologia e likes e arrastar pra direita ou esquerda, nada é feito para durar. Tudo é muito fácil e acessível, inclusive as relações, tratadas como bens de consumo e descartáveis.

Longe de mim vir aqui cagar regra e falar o que cada um tem ou não que fazer. Mas de tudo o que eu li sobre o tema nas últimas semanas, eu percebi que, apesar de sermos responsáveis pelo que falamos e não pelo o que o outro entende, muitas vezes falta clareza. A comunicação não é algo que acontece apenas por meio de palavras, mas por atitudes (ou falta de). Existem pessoas tão confusas que não sabem nem o que acontece dentro delas mesmas, agem de uma forma e falam outra completamente diferente. E aí, meus amigos, não tem como entender quem não se entende.

Claro, não podemos esquecer o fato de que existem também pessoas que optam por não enxergar as coisas como elas são. Mas não estou aqui para julgar ninguém. Acho realmente que o que acontece em um relacionamento é muito particular, apenas os envolvidos sabem.

O que levou a Bruna Marquezine a curtir/descurtir a foto, deixar de seguir a Anitta, voltar a seguir a Anitta e depois desativar seu Instagram, eu não sei. Com certeza a cachaça deve ter contribuído, mas tenho empatia por ela. Quantas pessoas não passam por coisas parecidas mas não são matérias de capa de sites? Quem realmente sabe o que acontece/aconteceu no relacionamento midiático dela? Não julgo e não critico.

O que eu posso afirmar é que com toda essa minha leitura sobre o tema, tenho tentado melhorar. Em entender e em falar. É praticamente impossível para um ser humano, com emoções e sentimentos, se envolver com alguém e não criar expectativas. Eu, pelo o menos, não consigo.

Hoje eu sei que palavras podem machucar muito mais que uma faca e, apesar de sempre ter me orgulhado de ser uma pessoa sincera, estou tentando me colocar no lugar do outro. Calçar os seus sapatos.

Ninguém sabe o que se passa dentro de uma pessoa, as lutas que ela trava com ela mesma, os demônios que enfrenta. E, aí, uma resposta considerada “sincera” pode, simplesmente, destruir alguém. Ter responsabilidade emocional/afetiva também é saber que essa verdade não precisa ser dita – ou pode ser dita de uma outra forma.

Meu próximo post será sobre isso. Será mesmo que todas as “suas verdades” precisam ser ditas?

Até mais, gente.

Porque, às vezes, tudo o que a gente precisa é escrever…